TERRA: Cuidado, Justiça, Responsabilidade, Compromisso de todo Cristão


“Nós somos parte da Terra. A Terra é parte de nós. Um é a extensão do outro, nós não vivemos a sós”.


Somos convocados (as) a “cultivar” e guardar” o jardim do mundo (cf. Gn 2,15). No sentido bíblico “cultivar” quer dizer trabalhar ou lavrar um terreno, enquanto “guardar” significa proteger, cuidar, preservar e velar. Essa forma de relação gera uma reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza. Cada comunidade pode tomar da terra aquilo que necessita para a sua sobrevivência, mas sempre em atenção para garantir proteger a partir da bondade da terra a sobrevivência para as gerações futuras, garantindo a continuidade da sua fertilidade.(L.S. n.67).


Rememorando 22 de abril, como dia mundial do Planeta Terra, criado em 2009, fazemos deste dia uma reflexão sobre o cuidado e a consciência que os recursos oferecidos pelo Planeta Terra são finitos e depredados de forma imediatista, cujo entender visa com força o econômico, a atividade comercial/produtiva (L.S. n.32).


A autoconsciência, neste dia, nos remete a uma mudança educacional individual e coletiva com relação a terra. Pequenos gestos que fazem a diferença como: adultos dar exemplo e ensinar, às novas gerações, o cuidado com a natureza; evitar consumismo, apenas o que é necessário; economizar água; reciclar lixo e tudo o que é possível reaproveitar; reduzir consumo de produtos descartáveis; reaproveitar objetos que seriam descartados; refletir sobre os impactos das ações humanas sobre o meio ambiente; evitar queimadas; selecionar o lixo e encaminhar para o local correto.


Como cristãos, não podemos separar nossa espiritualidade da realidade vigente e atual: “a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerado isoladamente. Por isso não dá para falar de uma atitude apenas opcional, mas de uma questão de justiça, pois a terra que recebemos pertence também àqueles que hão de vir. O ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir a geração seguinte. A isso chamamos ecologia integral numa perspectiva mais ampla. (L.S.n.141;159).


Cada camponês tem direito natural de possuir um lote razoável de terra e estabelecer seu lar, trabalhar para a subsistência de sua família e gozar de segurança existencial. O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos e todas. (L.S.n. 94;95).


Abusar da natureza significa abusar dos antepassados, dos irmãos e irmãs, da criação e do Criador, hipotecando o futuro. A sabedoria dos povos nativos da Amazônia conclama: “somos água, ar, terra e vida do meio ambiente criado por Deus. Por conseguinte, pedimos que cessem os maus tratos e o extermínio da ‘Mãe Terra’. A terra tem sangue e está sangrando. As multinacionais cortaram as veias da nossa ‘Mãe Terra’ ”(Q.A.n. 42)


Celebrar esse dia da Mãe Terra é um significativo momento de reconciliação e reflexão:

· Como me sinto parte da Terra? O que estou fazendo para preservá-la?

· Que mudanças preciso fazer no meu pensar e agir no cotidiano?


Referências Bibliográficas

- Carta Encíclica do Papa Francisco: Laudato Si’ sobre o Cuidado da Casa Comum. CNBB, 1ª Edição, 2015.

- Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco: Querida Amazonia. CNBB, 1ª edição, 2020.




Ir. Ivani Krenchinski

Missionária Serva do Espírito Santo

Naturoterapeuta/Nutricionista,

Pós Graduada em Acupuntura e Fitoterapia.



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