Setembro Amarelo: mês de conscientização e prevenção contra o suicídio


É muito importante falar sobre o tema. O Setembro Amarelo teve início inspirado na triste história do norte-americano Mike Emme. Era um garoto carinhoso e extrovertido. Habilidoso em mecânica, restaurou um Mustang 68 e o pintou de amarelo. Porém, para a surpresa de amigos e parentes, em 1994, ele cometeu suicídio, aos 17 anos. No funeral, foi homenageado pelos amigos com cartões amarelo e uma fita da mesma cor. Daí nasceu a campanha chamada Setembro Amarelo, com destaque para o dia 10.


É preciso diferenciar alguns termos. Há a “ideação suicida”, que compõe um número maior do que os de casos de suicídio de fato. Na ideação suicida, a pessoa tem ideias de autoextermínio que não são consumadas. Há também as tentativas de suicídio, que são os casos em que, felizmente, a morte não acontece. Estas estão mais para um pedido de socorro.


Atualmente, no Brasil, cerca de 12 mil pessoas cometem suicídio por ano. No mundo, o número chega a 1 milhão. Os motivos são vários: depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, abuso de drogas, endividamento e solidão. A síndrome do burnout também tem sido causa de suicídios.


Entre os que o cometem estão jovens, adultos e idosos, de todas as faixas etárias. Chama a atenção o crescente número de idosos que desistem de viver. Entre os fatores presentes nesta faixa etária, estão a solidão, o sentimento de inutilidade (quando o envelhecimento é melancólico), o sentimento de ser um peso para a família e a dificuldade de aceitar e lidar saudavelmente com essa fase da vida, e suas perdas e limitações. Nesse caso, há duas formas de suicídio: há o suicídio lento, quando o idoso deixa de tomar os remédios e de se alimentar; e há o suicídio fatal, que causa maior perplexidade. Causa perplexidade também quando o suicida é uma pessoa famosa, uma celebridade, uma pessoa que está dentro do padrão de beleza da mídia.


Há muitas polêmicas envolvendo esse tema. O senso comum tem algumas opiniões sobre as causas e a “realidade” dos casos de suicídio. Algumas pessoas afirmam que os jovens, que ocupam a maioria das estatísticas, são frutos de uma geração que não aceita limites e frustrações. Tal opinião é contraditória quando pensamos no grande número de adultos e idosos que também compõem os índices. Afirma-se ainda que a pessoa que comete suicídio não tem fé ou não tem vida de oração. No entanto, em 2021, nove padres tiraram a própria vida.


Outra afirmação generalizada é a de que “quem quer cometer suicídio não avisa, não chama atenção”. A princípio, isso parece verdade, no entanto, após o fato acontecer, é possível fazer conexões com algumas atitudes da pessoa em seus últimos dias de vida: frases de impactos nas redes sociais, postagens de fotos dos tempos em que ela se considerava mais feliz, fechamento, automutilação, objetos deixados à vista dentro de casa, desleixo com o autocuidado, uso mais intensivo de álcool e outras drogas, etc.


É preciso estar sempre alerta. Há várias formas de ajudar: uma boa conversa, o encaminhamento para um profissional da Psicologia ou da área da Psiquiatria. Há também o número de contato (telefone 141), do Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona 24 horas por dia.


Quanto a você, ajude a divulgar esta campanha. Lembre: se precisar, peça ajuda.



Aparecido Luiz de Souza

Psicólogo (CRP 08/149) e missionário da Congregação do Verbo Divino. E-mail cidosouza1@hotmail.com





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