Santo Oscar Romero, Profeta e Mártir


O bispo Oscar Romero (1917-1980), viveu 63 anos. Salvadorenho e 4º Arcebispo de El Salvador. Um bispo, como tantos outros, até tímido, um tanto controvertido numa boa parte de sua vida. No entanto, tudo começa a mudar quando as perseguições, torturas, mortes de padres, religiosos(as), lideranças leigas e abusos de autoridade, começaram a sacudir a sociedade salvadorenha.


O bispo, com “cheiro de povo,” sentiu dentro de si aquele apelo de Jesus: “Tenho sede”. Sede de justiça, de paz, de harmonia, do bem comum, do respeito à dignidade e vida do povo. Diante dos ataques do regime ditatorial, das intimidações, dos grupos guerrilheiros e da sistemática perseguição do governo militar; Oscar Romero, assumiu a Teologia da Cruz.


A cruz fincava sua base na vida do povo que caia nas mãos dos militares. Homens e mulheres assassinados, sequestrados, igrejas destruídas, sacrários violados, sangue nas ruas e nas casas, fizeram com que o coração apostólico do bispo Romero sentisse a compaixão de Jesus pelos últimos. Não teve medo de arriscar, de expor a própria vida, deixou de lado os privilégios, a comodidade que poderia desfrutar ficando do lado do agressor ou se omitir diante da barbárie. Romero abandonou o medo, a timidez e assumiu como um escudo a defesa do povo. Ele sabia, porque fora, várias vezes, avisado, que sua vida estava ameaçada.


Diante de seus olhos presenciou padres serem presos, assassinados, mutilados. Sessenta mil pessoas foram mortas em El Salvador. Seus assessores mais próximos foram barbaramente atingidos e mortos. Ele não podia recuar ou silenciar.


A Teologia da época, que animava a igreja Latino-Americana era a Teologia da Libertação, nascida dos porões da opressão, com uma leitura corajosa e atual do movimento exodal do Povo de Deus.


Naquela década perdida, a igreja vivia o exílio e a experiência de uma fé militante, mártir, banhada de sangue. A América Latina estava com suas veias abertas. De um lado, o governo militar opressor e assassino; de outro, a indiferença da hierarquia eclesial, sobretudo no interior do Vaticano que isolou o bispo salvadorenho. Romero tentou falar abertamente com o Papa João Paulo II e não teve êxito. Sua luta e seu testemunho foram classificados como exagerados. Não era para tanto.


Porém, numa missa no dia 24 de março de 1980, diante do Mistério da Paixão, Romero foi covardemente assassinado com uma bala no coração, por um atirador de elite. Seu sangue misturou-se com o sangue de Jesus. Sua carne dilacerada uniu-se à carne do Senhor crucificado. O bispo mártir tombou no altar do sacrifício, diante dos olhos perplexos de seu povo. A igreja salvadorenha viu e testemunhou o martírio do seu bispo amado. Ele caiu sem vida, mas a morte não venceu. No dia 14 de outubro de 2018, numa praça de São Pedro repleta, o Papa Francisco, declarou santo o mártir Dom Oscar Romero, para a glória de Deus e a libertação pela cruz de Cristo.



Pe. João da Silva Mendonça Filho, sdb

Padre salesiano de Dom Bosco. Amazonense.

Escritor, pregador de retiro espiritual e atualmente a serviço da CRB Nacional e membro da equipe Nacional da CNBB do Sínodo dos bispos 2023.


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