São José, Coração do Silêncio, Coração de Pai


Natal é celebrar a Família reunida.

Olhemos para São José que viveu sua missão na humildade e no recolhimento de uma vida silenciosa. Silêncio que nos permite “captar a verdade contida na título encontrado no Evangelho de Mateus: o “Justo” (1,19). São José é Pai que ora com a porta fechada; mantém segredo em sua missão de Pai – o que faz a mão direta, não o saberá a esquerda. Lembremos que, assim como ele era o protetor da Sagrada Família de Nazaré, continua sendo o protetor da Igreja. Podemos recorrer a ele por ajuda, em nossas necessidades espirituais e materiais, confiantes de que, com seu estilo silencioso, sempre escutará as nossas preces e as colocará na presença de Deus. São José é Pai sempre amado pelo povo cristão. “São José, a vós nosso amor, sede nosso bom protetor. Aumentai nosso fervor”.


É o Santo dos Anônimos, dos trabalhadores que comunicam com as mãos, no silêncio operoso e da discrição. Dele não conhecemos nenhuma palavra, apenas sonhos. Em tempos de pandemia, a humanidade inteira se encontra mais recolhida, oportunidade de viver, no silêncio, e pensar sobre nossa vida, nossa relação com os outros e com a Mãe Terra. São José é o santo da família reunida, das famílias reunidas, em suas casas, para evitar a contaminação da Covid-19.


A carta Apostólica Patris Corde, do Papa Francisco, apresenta-nos algumas virtudes de São José: Pai amável, Pai de ternura, de acolhida, pai de coragem criativa. São José ao chegar a Belém não encontra alojamento, onde Maria pudesse dar à luz, arranja um estábulo e prepara- o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo. E, no dia a dia, José via Jesus crescer “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52).


Hoje, também, necessitamos de pais que acolham os muitos desamparados e que tenham coragem para iniciativas na História da Salvação. Como São José, um pai que mostra, pelo coração, o amor a Maria e a Jesus. São José tornou-se pai assumindo todas as responsabilidades. Vivemos numa sociedade de pais ausentes, na educação cristã de seus filhos. A celebração do Natal - Encarnação de Jesus, é um momento propício para refletir sobre São José, pai presente na infância de Jesus. A Exortação Patris Corde, nos ensina como ser um “pai de coração”, hoje.


O Papa fala sobre a importância fundamental da figura do pai na formação da personalidade dos filhos e filhas, de modo especial, o respeito ao outro e os limites da liberdade pessoal e a do outro. O pai é responsável pela passagem para o mundo dos outros, onde encontrará as diferenças, e aprender, reconhecer e respeitar os próprios limites e conviver pacificamente. Comemoramos, neste ano,150 anos da declaração, de São José Padroeiro Universal da Igreja, do Beato Pio IX, em 8/12/1870. Invocamos, também, São José como “Padroeiro dos Operários”, “Padroeiro dos Trabalhadores”. O Povo invoca-o, ainda, como “Padroeiro da Boa Morte”.


Neste tempo de pandemia em que pudemos experimentar, que “as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas, geralmente, esquecidas, que não aparecem nas manchetes dos jornais, revistas, nem nos palcos do último espetáculo, mas, hoje, escrevem os acontecimentos decisivos da nossa história: profissionais da saúde, médicos, enfermeiros, e tantos outros trabalhadores, que compreenderam e vivenciaram a solidariedade, exercendo o papel de protetores da vida.


Quantas pessoas rezam, se sacrificam e intercedem pelo bem de toda a Humanidade. Encontram em São José o homem da presença cotidiana discreta e escondida, um intercessor, o amparo e guia nos momentos de dificuldades. São José faz-nos recordar que todos os que estão, aparentemente, escondidos, tem um protagonismo na história da salvação. Como São José colocam-se ao serviço do Plano da Salvação, fazendo de si mesmo e de sua vida, um dom total, na ajuda gratuita e oblativa ao serviço de seus irmãos e irmãs necessitados.


A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade, e José soube colocar Maria e Jesus no centro de sua vida. O seu silêncio manifesta gestos concretos de confiança. Estamos todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que “faz nascer o sol e a chuva”, sobre nós, maus e bons, sobre justos e injustos. Cresçamos no amor a São José, que interceda pela Igreja e por todos nós e assim possamos trilhar o caminho da santidade pela vivência do Evangelho.


São José, Nosso Pai e Protetor, Rogai por nós e cuidai de nós.



Irmã Marta Maria Arnold

Missionária Serva do Espírito Santo

Canoas/RS

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