Quaresma: Tempo de Retomar a Vida de Fé e a Comunhão Fraterna

“Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).


Dia 02 de março, iniciamos a Quaresma, com a celebração da imposição das cinzas. Esse tempo tem como fundamento três atitudes: jejum, caridade e oração. Atitudes que geram, em nós, a conversão e nos preparam para vivenciarmos o grande mistério da nossa fé, a Ressureição de Jesus Cristo.


Neste ano, em especial, somos chamados pelo Papa Francisco a fazermos, deste dia, um dia especial de “oração e jejum pela paz no mundo”, em especial pelo fim da guerra na Ucrânia e Rússia, conflito e violência que afeta, direta ou indiretamente, a todas as nações, com sérias consequências.


A Quaresma, nos primeiros séculos do cristianismo, era um tempo decisivo para aqueles que estavam aspiravam e desejavam receber os sacramentos da Iniciação Cristã, na Vigília Pascal. Os candidatos, eleitos no primeiro domingo da Quaresma, deveriam durante os quarenta dias intensificar a sua vida de oração e vivência cristã na comunidade para poderem receber o grande dom da Salvação, na Noite Santa da Vigília da Páscoa, Ressurreição do Senhor.


Com o passar do tempo, a Fé Cristã começou a tornar-se conhecida e anunciada, de geração em geração, e esse tempo, dedicado em especial aos catecúmenos, tornou-se uma prática quaresmal para todos os fiéis batizados, em preparação à grande celebração do mistério Pascal.


Em um mundo cada vez mais secularizado e midiático, a vivência da Quaresma se torna algo cada vez mais desafiadora, para os cristãos. As palavras ditas na imposição das cinzas “Convertei-vos e crede no Evangelho” ganham um peso cada vez maior e suscitam, em nós, um questionamento: “estamos realmente nos convertendo ou estamos apenas cumprindo um preceito”? Podemos citar, por exemplo, escolher um tipo jejum e sair anunciando para outros... em contraposição ao que nos pede o Evangelho, “guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles” (Mt 6, 1a). Qual o tipo de jejum, que facilita a viver a caridade cristã?


A proposta da Igreja para a Quaresma: jejum, caridade e oração, tem seu objetivo alcançado quando conseguimos unir as três palavras e torná-las vivas no nosso cotidiano, do contrário, se tornam apenas palavras.


O Papa Francisco no documento Misericordiae Vultus, n.9, nos fala que o amor “por sua própria natureza é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias...Tal como o Pai ama, assim também amam seus filhos. Tal como ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a sermos misericordiosos uns para com os outros”. O jejum e a oração são traduzidos em ações e atitudes de caridade, de misericórdia.

Quando conseguimos unir, as renúncias (jejum) com diálogo com Deus (oração), a prática da misericórdia (caridade) acontece no nosso dia a dia, principalmente, com aqueles que estão mais próximos e/ou com as pessoas mais vulneráveis. Muitas vezes pensamos que temos que realizar grandes obras, porém, as pequenas ações e atitudes com relação ao próximo que necessita de nosso auxílio, será mais simples e, conseguimos progredir na vida cristã de fé e na caridade. Importam os pequenos passos e que sejam constantes na nossa caminhada cristã.


A pessoa conectada com Deus e consigo mesma, não precisará de grande esforço para testemunhar a misericórdia do Pai, nas ações, em relação ao próximo. Irá agir conforme o desejo de Deus, que tudo vê. Nessa caminhada de conversão peçamos ao Espírito Santo para que nos ensine a perceber e acolher a vontade do Pai, e sejamos misericordiosos. Paz e bem!




José Renato da Luz

Leigo membro da Animação Bíblico Catequética da Diocese de Ponta Grossa e Corretor de Seguros.

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