Por uma Ecologia Integral


Falar de Ecologia Integral é reconhecer que tudo está interligado, ou seja, a interdependência de todos os aspectos ambientais, econômicos e sociais, que formam os três pilares do desenvolvimento sustentável, aos quais acrescentam-se os aspectos culturais e os da própria vida em curso. Sob esse prisma, ressalta-se a indissociabilidade de tais aspectos à própria noção do bem e da justiça intergeracional.


Assim, importa lembrar que vivemos um Kairós (tempo de graça), tempo de sonhos, como fala o Papa Francisco na “Querida Amazônia” e, tempo de esperança com uma Igreja em saída, embora também, um tempo de crises (econômica, ética e ambiental) e conflitos.


Observa-se a necessidade de um repensar sobre a relação entre ser humano e natureza devido às ações antrópicas desastrosas e predatórias ao meio ambiente.


Com efeito, o Meio Ambiente está ameaçado pela ganância dos poderosos com apoio do Governo Federal que favorece a exploração mineral e vegetal da floresta amazônica. São grandes empresas mineradoras, desmatamento, grilagem de terras públicas, monocultura do soja com plantio de sementes transgênicas e uso dos agrotóxicos. São vidas ameaçadas e impedidas de viver dignamente na Amazônia. São Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades tradicionais explorados pelo sistema capitalista que extrai as riquezas de seus territórios, e, segue matando os sonhos de uma “terra sem males”. É da floresta que vem o grito: “Queremos Viver”. E como se fala em Tupi Guarani “Ñande Rekoha” = “A Terra, nossa morada”.


Há que se destacar que a estrutura de fiscalização com uma agenda ligada à gestão ambiental nos territórios com aplicação das leis ambientais não surtem os resultados esperados. Segundo a publicação de Cida de Oliveira, “o Ministro a serviço da devastação ambiental é acusado por dificultar as investigações da operação da Polícia Federal na Amazônia, envolvendo a extração recorde, de maneira ilegal, para proteger os criminosos”. O próprio Presidente da República deixou claro, afirmando: “quero explorar a região Amazônica em parceria com os Estados Unidos”. Conforme Nurit Bensusan, esse pensamento revela quatro grandes frentes de exploração ilegal: a dos recursos madeireiros; a mineração e os impactos dos garimpos ilegais; as atividades agropecuárias que fortalecem o agronegócio e a exploração dos produtos não madeireiros com potencial cosmético.


Não se pode perder de vista que, essa política de desmonte dos Direitos Sociais, provoca conflitos entre as próprias lideranças e com grupos com interesses econômicos contrários. Por exemplo, conflitos entre os índios Mundurukus e garimpeiros em Jacareacanga, no Pará e, em Roraima, entre os índios Yanomami e garimpeiros. Além disso, no Congresso Nacional há Projetos Leis para alterar o Licenciamento Ambiental, favorecer a grilagem de terras públicas com o PL 2633 na Câmara e o PL 510 no Senado.


Diante de tantas ameaças e criminalização das lideranças, o Sínodo para a Amazônia, alerta afirmando que, “a Igreja se compromete a ser aliada dos povos amazônicos para denunciar os ataques à vida das comunidades indígenas, os projetos que afetam o meio ambiente, a falta de demarcação de seus territórios e o modelo de desenvolvimento econômico depredador e ecocida”(n. 46).


Nesta senda, evidencia-se a fala relacionada à conversão ecológica e relação com a Mãe-Terra. Daí o compromisso com a Ecologia integral, evitando o pecado ecológico (nº82). “É urgente enfrentar a exploração ilimitada da ‘casa comum’ e de seus habitantes... Diante da situação premente do planeta e da Amazônia, a Ecologia Integral não é só mais um caminho que a Igreja pode escolher para o futuro neste território, mas é a única maneira possível, porque não há outro caminho viável para salvar a região”, (nº67).


Ademais, é preciso reconhecer que o sinal profético da Igreja são os Mártires Amazônicos. “Uma das páginas mais gloriosas da Amazônia foi escrita pelos mártires. A participação dos seguidores de Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição gloriosa, acompanha, até hoje, a vida da Igreja... acontecendo com quem luta corajosamente em favor de uma Ecologia Integral na Amazônia. Este Sínodo reconhece, com admiração, aqueles que lutam, com grande risco de suas próprias vidas, para defender a existência deste território”(nº16).

Diante de tanta violência e, ainda, em tempo de COVID-19, com tantas mortes e omissão do Governo Federal, é hora de sermos protagonistas da luta permanente em solidariedade com todas as vítimas de violência e exploração. VIVAT INTERNACIONAL soma-se a todas as outras entidades e movimentos sociais na denúncia e na construção de uma agenda comum de proposições em defesa da Constituição e dos direitos humanos. Não podemos recuar no avanço conquistado da dignidade da pessoa humana e em defesa dos povos e seus territórios, cuidando da CASA COMUM para o BEM VIVER.






Pe. José Boeing, svd

Coordenador da Equipe Executiva de VIVAT Brasil






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