Paz e Guerras: O Dilema da Convivência Humana


Em dezembro de 2017, a Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou 16 de maio como o Dia Internacional da Convivência em Paz. A UNESCO ressalta que a cultura de paz elimina todas as formas de discriminação e intolerância, permitindo assim o desenvolvimento dos seres humanos de acordo com suas habilidades e capacidades. Não há dúvidas de que a paz é um dos sentimentos mais desejados pelos seres humanos. Paradoxalmente, seu estabelecimento nas relações humanas e institucionais ainda é um desafio colossal que enfrentamos.


No início de 2022, todas as nações acompanharam apreensivas a entrada das forças armadas russas no território ucraniano. Diariamente, nos noticiários, vemos o que o interesse por regiões estratégicas e as disputas de poder têm ocasionado nas vidas de milhares de pessoas de ambas as nacionalidades. Outros conflitos paralelos, com consequências equiparáveis às populações locais, mas sem destaque nas lentes da grande mídia, ocorrem em vários pontos do globo, principalmente nos países mais empobrecidos.


No Brasil, no mesmo ano em que a ONU declarou o Dia Internacional da Convivência em Paz, as estatísticas mostravam que, a cada 23 minutos, um jovem negro era assassinado. Outro dado alarmante vem da Fundação Oswaldo Cruz. O Mapa de Conflitos Ambientais, elaborado por ela, mostra que o Brasil contabiliza 615 conflitos ambientais em 12 anos.


Essas realidades, entre inúmeras outras, tanto no nível macrossocial quanto no micro, desafiam-nos constantemente na construção da cultura da paz. Imersos na sociedade pós-moderna, com uma lógica cada vez mais competitiva e individualista, muitas vezes, passamos do sentimento da impotência à indiferença, naturalizando os fatos.


O que fazer diante desses fatos? Hannah Arendt, filósofa que viveu em meio aos horrores do nazismo, deixa-nos uma lição importante. Para ela, a conciliação das diferenças, capaz de garantir uma boa convivência humana, evitando os conflitos, é possível pela ação comunicativa. Isso pressupõe um diálogo enraizado na ética e no respeito ao outro, evitando qualquer forma de mentira e manipulação. Quando o espaço do debate e do respeito é ameaçado, surgem a violência e a guerra, afirma Arendt.


Esse pensamento de Hannah Arendt é fonte de inspiração para nossas relações humanas, em todos os espaços. A paz é uma construção, e todos temos responsabilidade nessa empreitada. Isso significa que, mais do que um desejo abstrato, a paz pressupõe uma ação consciente, um esforço pessoal e coletivo. Cabe-nos, portanto, perguntar: estou disposta(o) a dialogar com o diferente em busca do bem comum ou prefiro o uso da força (do autoritarismo) para impor minhas vontades e satisfazer a meus interesses? Enfim, como minhas atitudes estão impactando o mundo: estou alimentando a cultura da paz ou os conflitos e guerras? Como percebemos, a paz está ao alcance de todos. Que tenhamos a ousadia de sempre optar por ela!



Irmã Stela Martins, SSpS, graduanda no curso de Ciências Sociais.


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