Missão na Terra Indígena Pium


Terra Indígena PIUM é a área habitada por Macuxi e Wapichana, localizada em Alto Alegre/RR. A luta pelo território indígena, demarcado, é constante, diante das ameaças de ocupação e posse, muitas vezes facilitada pelos próprios governantes.


Um dos grandes desafios enfrentados na região é a disputa da Terra da União pelo fazendeiro, com terras próximas a aldeia indígena. E, por direito, terra da União não pode ser disponibilizada para proprietários, mas sim pra ocupação dos indígenas.


As lideranças governamentais defendem que os bens comuns dos Territórios Indígenas, patrimônio da União, sejam disponibilizados para a exploração econômica por setores vinculados ao agronegócio e às mineradoras. E isto causa sérios problemas nas terras indígenas, sendo necessário, um constante encaminhamento e exame de água devido ao alto grau de resíduos do mercúrio usados na exploração do garimpo ilegal no Rio Urariquera que banha os Territórios Pium e Boqueirão, e a garimpagem acontece especificamente no território dos índios Yanomami, onde nasce o rio citado acima.


É a região da Missão da Diocese de Roraima, onde atuam as Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. O fato é sério e preocupante, sendo que nessa região, na Aldeia Sucuba, onde trabalhamos, a presença de minérios, em especial, o ouro é bem grande.


Temos, também, em nossa região de missão o território Arapuá, ainda não foi demarcado. Isso, também é preocupante devido ao atual contexto político, de “que não seria demarcado e nem ampliado nenhum centímetro das terras indígenas”. O que deixa claro, que o retrocesso é total em relação às lutas pela demarcação e ampliação.


Em relação à Saúde e Educação Indígena, a luta também é árdua. Existe pouco ou quase nada de respeito à Medicina tradicional e por outro lado, a SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que existe a partir da luta e conquista dos Povos, hoje se encontra totalmente nas mãos de políticos oportunistas.


Quanto à Educação não há o mínimo de respeito para com o calendário interno das comunidades indígenas. O processo de contratação de professores indígenas é feito por meio seletivo e não de concurso, o que gera, uma total insegurança aos profissionais da Educação Indígena.


Outro problema sério são os preços abusivos da Energia Elétrica, cobrado como se fosse área urbana. Isso tem assolado as aldeias, pois essas na verdade são consideradas como usuárias rurais da energia.


Diante de tamanho descaso com nossos irmãos - povos Indígenas e primeiros habitantes em terras brasileiras, cabe-nos ter atitudes de solidariedade, também com os voluntários que marcam presença segura e corajosa na luta por seus direitos. Não nos esqueçamos: “SOMOS TODOS IRMÃOS!”




Irmã Maria Madalena Hoffmann

Missionária Serva do Espírito Santo

Alto Alegre/Boa Vista/Roraima

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