Mãos que Plantam Vida


É comum ouvirmos que a chuva, o vento, a seca e a geada destruíram tudo; além de deixar centenas de desabrigados. Árdua realidade! No entanto, algumas iniciativas de diferentes povos e culturas, espalhadas pelo Brasil, reforçam a esperança de poder salvar a “Casa Comum”.


A prevenção frente aos desastres ecológicos depende do respeito e conservação do ecossistema. E este é um desafio que independe de região, cultura, situação socioeconômica, prática religiosa ou idade. Para os colégios conectados a este ideal, e para aqueles que acolhem diferentes povos, seu currículo conecta-se com práticas diárias em defesa do equilíbrio do ecossistema.


A Semana do Meio Ambiente, criada, no Brasil, pelo Decreto nº 86.028, de 27/05/1981, despertou o professor-biólogo Mairon Tavares Silva a desenvolver o Projeto “Mãos que plantam vida”. Participaram desta iniciativa 65 alunos(as) da 2ª e 3ª Séries do Ensino Médio, além de funcionários do Colégio Estadual Batista

Professora Beatriz Rodrigues da Silva, Tocantínia/TO – território que pertence à Amazônia Legal.


Segundo o biólogo, o Cerrado precisa ser cuidado. “É preciso mostrar para os estudantes o perigo que corre este patrimônio ecológico, diante do desmatamento e queimadas constantes. Precisamos proteger as gerações futuras. O sumiço de espécies da fauna e da flora; o calor excessivo e as cheias dos rios locais são a prova de que a cadeia da vida está sendo destruída”, alerta. O que é defendido também pelos estudantes. A aluna Ingrid Rodrigues Santos (17), da 3ª série do Ensino Médio Regular, relatou que “a reflexão sobre a Semana do Meio Ambiente nos levou a reconhecer que, no Cerrado, a ação humana está destruindo a natureza. É preciso incentivar a nova geração a mudar o comportamento, para que tenhamos esperança de um País com mais verde. Não podemos desmatar, porque um ambiente saudável nos ajudará em nossa própria sobrevivência. Desmatar, queimar e sujar os rios está diminuindo o nosso tempo aqui na Terra.”


Diante desse alerta, o Projeto “Mãos que plantam vida” envolveu alunos(as) não-indígenas e indígenas Xerente (50% da clientela da unidade escolar), os quais participaram de aulas temáticas, debates e palestras sobre o meio ambiente. Porém, o que chamou a atenção foi a reação dos Xerente, que ficaram preocupados com a derrubada das árvores e as queimadas nas aldeias. O aluno Victor Hugo Waikarõ Xerente (17), 2ª Série do Ensino Médio, Aldeia Kripê-Salto- Tocantínia/TO, falou: “depois do Projeto, eu plantei duas novas árvores na minha aldeia. Mas é preciso fazer mais. Ainda acontecem muitas queimadas, principalmente na época da seca. A plantação pode gerar alimentos e recursos para nós e, também, para o povo não-Akwẽ. Plantamos mudas no Colégio, e os frutos serão para outros alunos, porque não estaremos mais aqui”.


Um dos fortes momentos do Projeto aconteceu no dia 02 de junho, quando o professor Mairon levou os(as) estudantes a plantar, na vasta área do Colégio, árvores nativas: mangaba, fava de bolota e pau-brasil; e frutíferas: caju, jaca, jambre, acerola – que servirão, daqui a 2-3 anos, de alimento para os estudantes. Também foram produzidas, artesanalmente, as placas educativas pelo idealizador do Projeto e pelo estudante Victor Hugo Waikarõ Xerente. A tradução do Português para Akwẽ Xerente (língua co-oficial do município, conforme Lei Municipal nº 411/2012, 25/04/2012), foi realizada pelo professor Valteir Tpêkru Xerente. Este Projeto está sendo reconhecido pela comunidade local, que já começou a pedir as placas educativas nos dois idiomas para fixar em suas ruas.



Miriam Bernadete de Souza

Professora no Colégio Estadual Batista Professora Beatriz Rodrigues da Silva e Catequista na Paroquia São Sebastião, Tocantinia/TO





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