Guia me, Senhor!


Está comprovado, desde sempre, que uma música, por si só, não necessita nenhum tipo de explicação. A própria linguagem musical transmite o que o autor quis/quer expressar, seja um sentimento ou experiência, uma prece ou oração. Sabe-se que o momento ou realidade que um compositor está vivendo, no momento, influencia em muito na letra de sua canção.


Por exemplo, falar sobre imigrantes e refugiados é um tema cadente e atual, em nosso mundo. Quando penso nessa realidade tão triste e inesperada de milhares de pessoas (crianças, jovens, adultos e idosos) que, num piscar de olhos, perderam tudo deixando para trás todos os seus esforços e conquistas de anos e, ainda, sem poder recuperá-los, fico perplexa e a dor se torna solidária. Quando a perda é de bens materiais, a impotência é grande, porém, jamais superará a dor da perda de um ente querido, um familiar ou um amigo, que por circunstâncias adversas ficaram pelo caminho. As mídias sociais informam como muitos, até em condições desumanas, morrem na travessia do mar, em fronteiras, outros perdem a vida, inocentemente, em consequência de conflitos, ou em guerras.


Pessoalmente, nunca passei por esse tipo de experiência ou experiência semelhante, mas, ao acompanhar as notícias em jornais, revistas, rádio e televisão, sinto que sou afetada e ajudam a me colocar no lugar do outro, tão sofrido e machucado, tornando-me empática e compassiva com essa realidade gritante e dolorosa que causam tanto sofrimento e dor, e entram em nossas famílias, em nossas vidas, diariamente e de forma, quase, natural.


Escrever sobre imigração sem ter sido uma imigrante, comentar sobre os campos de refugiados sem ter vivido em um deles, parece uma dicotomia e não uma afirmação real.


Mas, a canção que escrevi, é apenas um relato de alguém que de repente, ainda no sono, vive um pesadelo, porém, luta com todas as suas forças e esperança para despertar e encontrar-se com alguém que lhe mostre o caminho e lhe guie por veredas de justiça e verdade. A pessoa se reconhece como peregrino/a, é imigrante e caminha sem destino, ao mesmo tempo, em que pede a Deus luzes e os dons do Espírito Santo para que, na certeza e esperança, possa alcançar o seu objetivo, e ser acolhida num país estrangeiro.


Ao chegar, descalço, apenas com a documentação, sem possibilidade de continuar sozinho, em terra desconhecida, carrega consigo a fé, a única força que traz consigo, e que, neste momento, se torna o seu suporte, para ser feliz, independentemente, de idioma diferente do seu, sentir-se acolhido, e que o ajudará a não perder a alegria e nem a esperança. E desta maneira, demonstra coragem e ousadia, através de seu testemunho e vivência, que a fé e a Palavra de Deus são seu grande tesouro.


Nesse contexto da realidade, a Santíssima Trindade nos impele a fazermos nossa caminhada profética de transformação e formarmos, juntos, uma melodia de compaixão neste mundo onde todos, e especialmente os mais sofridos, possamos aprender os mesmos passos, sem dificuldades e seguir imersos na dança de aprendizagem recíproca, onde não há protagonistas e sim, unidade. Então, ninguém se sentirá só, mas acompanhados por Jesus Cristo, o Verbo Divino que se encarnou e se personifica em cada rosto sofredor.




Irmã Gerci Lopes de Souza, Missionária Serva do Espírito Santo

Pedagoga no Colégio Santos Anjos/Porto União/SC



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